terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A insensatez que perdura

Estou do lado esquerdo da rua, com um anel de ouro em cada mão,
Abraço o frio gélido da noite, e ouço o coração a pulsar,
Descalça, entregue aos acasos e adivinhações,
Procurando uma bússola esquecida no chão,
Sabendo que tenho em casa os mapas todos do mundo,
Mas nuncas soube ler nenhum.
Procuro a chave do sorriso e as letras do livro que estou a escrever.
Onde deixo o coração pousado?

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Será que sobrevivo sã e ilesa?...

‎2011 repleto de mudanças de todos os géneros e feitios . Começo a ser especialista no tema! E uma mudança de casa não significa apenas encaixotar tudo e ir embora, envolve todo um desapego, uma reavaliação de vida, e mesmo uma enorme mudança interna, e muitas dores musculares à mistura... Será que sobrevivo ao caos?...

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

E é isto todas noites

Odeio televisão e o modo como todos "colam" para ver as maiores patetices do mundo... Luta inglória! O que vale é que eu aprendo imenso no meu silêncio.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Haja paciência para a falta de contenção emocional

Ser vítima de um ataque de fúria de um colega de trabalho é algo que nos incomóda muito. Mas incomóda muito mais se lhe dermos importância... Decerto esta pessoa sente-se muito mal consigo própria, ao ponto de ver os outros à sua imagem. Mas consegue estragar-nos a semana!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Setembro fecha-se em silêncio...

Setembro fecha-se em silêncio... Como se as palavras se tivessem posto em debandada assustadas por um rumor surdo de centenas de asas a bater.
Apago-me para te deixar coincidir com a distância. Sem alternativa, continuarei a bater as minhas asas, afugentando as centenas de palavras que sobrevoam o silêncio...

Homenagem a meu pai

O que te faria mais feliz do que saberes que a tua querida neta ontem se deliciou com alguns poemas de Luís de Camões e Fernando Pessoa? Nada, eu sei. Isto seria mais do que suficiente para te fazer completamente feliz. Foste tu que construiste esta magia, este saber que se contagia todos os dias aos que me rodeiam.
Obrigada não só por tudo o que me ensinaste, como por todo o teu carinho, tolerância e compreensão. Estás em mim. Estamos felizes por isso.
Saudade imensa do tanto que tivemos juntos.
Amo-te!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Desassossego

E assim sou, fútil e sensível, capaz de impulsos violentos e absorventes, maus e bons, nobres e vis, mas nunca de um sentimento que subsista, nunca de uma emoção que continue, e entre para a substância da alma. Tudo em mim é a tendência para ser a seguir outra coisa; uma impaciência da alma consigo mesma, como com uma criança inoportuna; um desassossego sempre crescente e sempre igual. Tudo me interessa e nada me prende. Atendo a tudo sonhando sempre; fixo os mínimos gestos faciais de com quem falo, recolho as entoações milimétricas dos seus dizeres expressos; mas ao ouvi-lo, não o escuto, estou pensando noutra coisa, e o que menos colhi da conversa foi a noção do que nela se disse, da minha parte ou da parte de com quem falei. Assim, muitas vezes, repito a alguém o que já lhe repeti, pergunto-lhe de novo aquilo a que ele já me respondeu; mas posso descrever, em quatro palavras fotográficas, o semblante muscular com que ele disse o que me não lembra, ou a inclinação de ouvir com os olhos com que recebeu a narrativa que me não recordava ter-lhe feito. Sou dois, e ambos têm a distância - irmãos siameses que não estão pegados

Fernando Pessoa, Bernardo Soares
O livro do desassossego

Respondo com o silêncio

O meu silencio existe apenas para que eu possa  lidar com o meu caos mental. Para o entender, preciso desta solidão. Sufoco com sentimentos confusos, que me trazem angustiada e incapaz de permanecer bem comigo mesma. Tento afastar-me dos meus medos, sem sucesso. E então calo-me, e fico no meus caos mental.  A sorrir por fora, a chorar por dentro. Luto insistentemente pela aceitação de minhas afirmações incertas e de minhas duvidosas certezas.
O meu silencio existe apenas para que eu possa lidar com o meu caos mental.

E o teu? Porque existe?

Estou perdida...

Estou perdida...
Deixei-me levar pelas águas do rio que corriam para norte, calmamente, deixei-me levar. E agora perdi-me... Já avancei demais para conseguir voltar atrás, e ainda estou tão longe do sítio para onde gostaria de ir. Será que vou ser atirada pela corrente contra uma rocha e me vou esborrachar, e sucumbir?

O tempo o dirá... ou eu!

Eu??? Não!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Não faz sentido nenhum

Não há tempo...

Abrir os olhos e ainda está escuro. E começa tudo a correr. O relógio sempre no pulso, como se de um membro se tratasse. São horas e horas seguidas, sem tempo para olhar para dentro, sem tempo para olhar para fora, sem tempo para olhar para mim, parar ti, para nós, para vós, para o mundo. São horas de ansiedade, de cumprimento de ordens e procedimentos, vindos de todas as direcções. O corpo não pára, a mente responde com a mesma velocidade.

Chegar à noite e atirar com o corpo pesado para cima dos lençóis. E tempo para mim, para ti, para nós, para vós, para o mundo? Nenhum... Chegar à noite e não haver força sequer para falar.

Faz sentido? Nenhum...

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Queria conseguir

Pego no fio, e faço novamente um novelo de lã. O novelo é grande, a lã está gasta, suja e usada. O novelo já foi feito e desfeito inumeras vezes, mas nunca chegou a ser camisola para usar. Foi camisola, mas não serviu. Foi camisola, mas não agradou. A lã está gasta, suja e usada. Já foi misturada com inumeras cores, tons e tecidos; mas terminou sempre pousada na última prateleira do armário da despensa gasta, suja e usada, como a lã. Pego no fio, e insistentemente faço novamente um novelo de lã. Desejo imenso fazer uma linda camisola que me sirva por muito tempo, que eu possa deixar aos filhos, que esteja eternizada nas fotografias espalhadas pela casa. Eu a sorrir, com a minha linda camisola de lã.

Mas doêm-me os dedos...

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

De cabeça na lua e o corpo junto a mim...

Como é possível responder a tanta solicitação se ando sempre de cabeça na lua?
E o corpo?
Esse anda sempre juntinho a mim.

Porque insistem em estar sempre separados?...

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Só me falta mesmo é ser um pincel...

Sou conhecida no meu trabalho por ter uma excelente capacidade de organização e gestão de tempo. Um exemplo a seguir. E sou. Ponto final. No trabalho. Durante 8 a 9 horas sou um robot. Mas ninguém repara que virei máquina, acreditam que eu sou mesmo assim. Não é fantástico?

Como faço isso?..  Estou sempre próxima do caos. Trato-o "tu-cá-tu-lá". Só a muito custo não entro em colapso. Passo 16 horas do dia a pensar como e quando vou organizar as coisas, e vivo em ansiedade permente. Mas não tomo qualquer medicação para a depressão ou coisas do género. O que é óptimo (aqui hesito uma vez mais sobre quando começar a adoptar o uso do novo acordo ortográfico)!

Assim, vou sendo uma pessoa cada vez mais completa. Só me falta mesmo é ser um pincel...

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Se além de ser um alfabeto, eu conseguisse ser um pincel, era 100% feliz!


Pintado por Celestino Monteiro

Já sei porque acordei!

Estendi o braço para o meu lado esquerdo e senti o calor do aconchego. Às vezes quando amamos, não existe mais nada no mundo. Mas acho que é hora de deitar fora o clorofórmio! Está a chegar o Outono, altura de ter tempo para ser um alfabeto...

Onde estive?

Às vezes não entendo porque o cérebro nos pára e o corpo insiste em o imitar...
Passam-se os dias, as semanas, os meses e, olhando para trás, afinal tudo e todos existiram. Eu não. Eu estive num frasco com clorofórmio.