Todos os segundos, todos os minutos, todas os quartos de hora e todas as meias horas e as horas, são demasiado tempo para esperar que a dor se dissipe, se dilua em qualquer esperança que surja do nada ou do todo. Porque do nada estou eu cheia, e o todo parece jogar ao esconde-esconde. Mas há já algum tempo que eu não me lembro de ser criança, e já perdi a habilidade para certas brincadeiras.
segunda-feira, 29 de abril de 2013
sexta-feira, 19 de abril de 2013
tripping over all the edges of reality
I spend my days and I spend my nights
Going over every second of the time we had
Going over the scenes
Going over the dreams
But tripping over all the edges of reality
Going over every second of the time we had
Going over the scenes
Going over the dreams
But tripping over all the edges of reality
Zita Swoon
Nada sobre o muito
Ainda aqui estou, na sombra, à deriva como um navio que desaprendeu as leis do mar. Quando estávamos juntos era mais fácil. Por isso cá estou, ridiculamente, a tentar desenhar-te. No quase esboço da tua boca. O meu templo pagão. A lâmpada mágica de onde saiu o sorriso mais bonito do mundo. O sorriso que levaste contigo quando desapareceste. Desenho-te a boca a carvão e beijo-a tantas vezes quantas oiço, ao longe, o teu chamar. Deixa-me desenhar o cheiro da tua pele, o calor do teu abraço. Quero desenhar os segredos que guardavas na linha do teu pescoço. O teu silêncio. A tua voz calma a chamar por mim. A tua doce melancolia que desenterrava qualquer infância. Agora há telas em branco, pinceis espalhados pelo chão, e vazio no fundo do corredor. Agora há tempo. Tempo que não termina. Tempo que sussurra: ‘ele já não está aqui’. Eu desenho-te e prometo: vou fazer de conta que não te vi a sair de casa naquele dia, e sigo para onde tiver de ser. Nada me espera depois de te encontrar, e perder, cedo demais.
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Uma história ao avesso
Tenho tanto que fazer, disse-lhe
ele, a primeira vez que percorreu o seu olhar sobre o dela. Na altura ela não
percebeu o sentido daquelas palavras. Com tantas flores ainda no quintal, ele
falava como se estivessem em pleno Inverno. Os seus olhos falavam verdade. Ela afagou-lhe a mão e sussurrou-lhe sobre os seus sonhos, parecidos com histórias
de encantar, segredos escondidos há muito na sua imaginação. Ele ficou maravilhado com o mundo dos sonhos e nele entrou com um sorriso estampado nos lábios. Ela mostrou-lhe caminhos que, apesar de
sinuosos, os levavam ao sítio que ambos ambicionavam ir. Foram
deitando migalhas pelo chão, para nunca se esquecerem do caminho. Ele ensinou-a a ter paciência, a saber ir devagar, e convenceu-a a atirar alguns objectos ao chão, e a irem com pouco no bolso, muito no coração, e sempre de sorriso no rosto. Contagiaram as
suas princesas com as suas loucuras e por vezes os quatro faziam de conta que
eram duendes a brincar num bosque encantado. E quem passava na rua virava a cara, para não ver o escândalo a
cores.
Amo-te ficou para sempre, onde quer que estejas.
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