segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Estás-me na pele


Meus Deus, esta saudade não passa....

O meu coração está fechado.
Não quero estar com ninguém.
Cada palavra que ouço das vossas bocas, cai no vazio.
Nenhuma chega onde as anteriores chegavam.
Nada do que me possam dizer me faz querer ouvir.
Ele está em todas as pessoas com quem me cruzo.
Vou amá-lo enquanto existir.
Os meus sorrisos apenas escondem a minha saudade.

Não estou doente, não estou deprimida, apenas estou só.


sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Amei-te com as palavras
com o verde ramo das palavras
e a pomba assustada do coração.

Amei-te com os olhos
o espelho doido dos olhos
e a sede inextinguível da boca.

Amei-te com a pele
as pernas e os pés
e todos os gritos que trago
por debaixo da roupa.

Amei-te com as mãos
As mesmas com que te digo adeus.

Rosa Lobato de  Faria

segunda-feira, 29 de abril de 2013

do nada estou eu cheia, e o todo parece jogar ao esconde-esconde

Todos os segundos, todos os minutos, todas os quartos de hora e todas as meias horas e as horas, são demasiado tempo para esperar que a dor se dissipe, se dilua em qualquer esperança que surja do nada ou do todo. Porque do nada estou eu cheia, e o todo parece jogar ao esconde-esconde. Mas há já algum tempo que eu não me lembro de ser criança, e já perdi a habilidade para certas brincadeiras.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

tripping over all the edges of reality

I spend my days and I spend my nights
Going over every second of the time we had
Going over the scenes
Going over the dreams
But tripping over all the edges of reality


 
Zita Swoon

Nada sobre o muito

Ainda aqui estou, na sombra, à deriva como um navio que desaprendeu as leis do mar. Quando estávamos juntos era mais fácil. Por isso cá estou, ridiculamente, a tentar desenhar-te. No quase esboço da tua boca. O meu templo pagão. A lâmpada mágica de onde saiu o sorriso mais bonito do mundo. O sorriso que levaste contigo quando desapareceste. Desenho-te a boca a carvão e beijo-a tantas vezes quantas oiço, ao longe, o teu chamar. Deixa-me desenhar o cheiro da tua pele, o calor do teu abraço. Quero desenhar os segredos que guardavas na linha do teu pescoço. O teu silêncio. A tua voz calma a chamar por mim. A tua doce melancolia que desenterrava qualquer infância. Agora há telas em branco, pinceis espalhados pelo chão, e vazio no fundo do corredor. Agora há tempo. Tempo que não termina. Tempo que sussurra: ‘ele já não está aqui’. Eu desenho-te e prometo: vou fazer de conta que não te vi a sair de casa naquele dia, e sigo para onde tiver de ser. Nada me espera depois de te encontrar, e perder, cedo demais.