Tenho tanto que fazer, disse-lhe
ele, a primeira vez que percorreu o seu olhar sobre o dela. Na altura ela não
percebeu o sentido daquelas palavras. Com tantas flores ainda no quintal, ele
falava como se estivessem em pleno Inverno. Os seus olhos falavam verdade. Ela afagou-lhe a mão e sussurrou-lhe sobre os seus sonhos, parecidos com histórias
de encantar, segredos escondidos há muito na sua imaginação. Ele ficou maravilhado com o mundo dos sonhos e nele entrou com um sorriso estampado nos lábios. Ela mostrou-lhe caminhos que, apesar de
sinuosos, os levavam ao sítio que ambos ambicionavam ir. Foram
deitando migalhas pelo chão, para nunca se esquecerem do caminho. Ele ensinou-a a ter paciência, a saber ir devagar, e convenceu-a a atirar alguns objectos ao chão, e a irem com pouco no bolso, muito no coração, e sempre de sorriso no rosto. Contagiaram as
suas princesas com as suas loucuras e por vezes os quatro faziam de conta que
eram duendes a brincar num bosque encantado. E quem passava na rua virava a cara, para não ver o escândalo a
cores.
Amo-te ficou para sempre, onde quer que estejas.
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