quinta-feira, 11 de abril de 2013

Uma história ao avesso

Tenho tanto que fazer, disse-lhe ele, a primeira vez que percorreu o seu olhar sobre o dela. Na altura ela não percebeu o sentido daquelas palavras. Com tantas flores ainda no quintal, ele falava como se estivessem em pleno Inverno. Os seus olhos falavam verdade. Ela afagou-lhe a mão e sussurrou-lhe sobre os seus sonhos, parecidos com histórias de encantar, segredos escondidos há muito na sua imaginação. Ele ficou maravilhado com o mundo dos sonhos e nele entrou com um sorriso estampado nos lábios. Ela mostrou-lhe caminhos que, apesar de sinuosos, os levavam ao sítio que ambos ambicionavam ir. Foram deitando migalhas pelo chão, para nunca se esquecerem do caminho. Ele ensinou-a a ter paciência, a saber ir devagar, e convenceu-a a atirar alguns objectos ao chão, e a irem com pouco no bolso, muito no coração, e sempre de sorriso no rosto. Contagiaram as suas princesas com as suas loucuras e por vezes os quatro faziam de conta que eram duendes a brincar num bosque encantado.  E quem passava na rua virava a cara, para não ver o escândalo a cores.
Amo-te ficou para sempre, onde quer que estejas.

 

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